O bug do portfólio de design em 2026
Ninguém lê portfólio, escaneia. O erro mais comum não é falta de trabalho, é a ordem: processo antes do resultado.
Quem abre meu portfólio decide em dois minutos se vale conversar. Não lê o case inteiro, bate o olho atrás de uma coisa: isso resolve o meu problema? O portfólio médio responde mal, porque ainda é escrito como diário. Tudo que o designer fez, em ordem cronológica, com o resultado lá no fim, cansado, depois de quinze telas de discovery.
O resultado vem primeiro
Reescrevi meus cases ao contrário. Começa pelo resultado, e daí volto preenchendo só os momentos que importaram pra ele existir. Uns 80% do discovery fica de fora. Não porque não aconteceu, mas porque o leitor não precisa dele pra entender o que mudou.
PAR+I em vez de "desafio → solução"
O molde que uso em todo case agora:
- P — ponto de vista e problema. Qual era a tese.
- A — as ações que eu tomei. Não o que o time fez, e não tudo.
- R — resultado. Número, antes e depois, o que mudou de mensurável.
- +I — impacto além do número: no processo, no time, na forma de trabalhar.
Senioridade não é quantidade de tela
O sinal não é quantos fluxos desenhei. É a complexidade da decisão. O trade-off que considerei e descartei, por que escolhi um caminho e não o outro. Telas bonitas qualquer ferramenta cospe hoje. O que continua caro, e o que o leitor está realmente medindo, é o julgamento por trás delas.
// Takeaway Case é trailer, não diário. Começa pelo resultado e volta preenchendo só os momentos que ele precisou pra acontecer.