Estratégia antes do logo
Quando o cliente diz "não tá parecendo certo", está avisando que pulei a estratégia e fui direto pro visual.
"Não sei, não tá parecendo certo." Todo designer de marca já ouviu isso, e é a frase mais cara do projeto. Por anos achei que era cliente indeciso, mas é sintoma: o visual veio antes da estratégia, e agora não tem critério pra defender escolha nenhuma, nem pra ele nem pra mim.
O feedback vago é diagnóstico
Quando a revisão não acaba, o problema quase sempre é a falta de um "porquê" combinado antes do desenho. Sem isso, todo "porquê" vira gosto, e gosto não se ganha em reunião. O cliente fica subjetivo porque não tem onde se apoiar, e eu fico sem argumento porque também não tenho.
Pergunta antes de desenhar
Duas perguntas resolvem mais que cinco rodadas de ajuste:
- Os 5 porquês. "Por que você começou essa marca?" e repete "por quê?" até chegar na razão de verdade, não na resposta de folder.
- "E daí?" Quando o cliente lista uma feature ("temos embalagem ecológica"), respondo com "e daí, por que isso importa pro cliente dele?". Feature vira valor, e valor dá direção visual.
O visual vira tradução
Com os atributos definidos, desenhar deixa de ser decisão de gosto e vira mapeamento. "Cutting edge" puxa ângulo afiado. "Humano" puxa forma redonda. E cor às vezes é decisão de mercado: dá pra escolher um verde só pra fugir do azul que todo concorrente de IA usa. Quando o cliente enxerga a lógica por trás de cada escolha, ele para de revisar e começa a confiar.